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Boletim n.º 19, 2016

Chegam-nos notícias dos EUA, da Índia, da América Latina, do Japão de que políticas educativas em implementação pretendem diminuir ou simplesmente retirar as humanidades do currículo. Estas políticas parecem estar a reduzir significativamente a educação a políticas de instrução, e estas a um ensino para as ciências e para as tecnologias que se consideram ser as mais úteis para o desenvolvimento económico.

No entanto, desde a década de 40 do século XX que a Filosofia é reconhecida pela UNESCO como fundamental para a construção de sociedades inclusivas. Considera esta organização internacional, que incorpora na sua ação alguns dos valores base da sociedade ocidental, que o pensamento crítico que subjaz ao pensamento filosófico é um meio para nos descentrarmos e acolhermos o Outro, especialmente o Outro culturalmente diferente.

Conquanto possa carecer de atualização, o Programa de Filosofia dos 10.º e 11.º anos de escolaridade tem presente um perfil de aluno à saída do ensino secundário que encarna os ideais da UNESCO e os valores fundamentais que presidiram à constituição da União Europeia e que são fundamentais para o século XXI. O ideário presente no Programa supõe que devemos educar para a construção de sociedades inclusivas e sustentáveis e que há qualidades ideais nos indivíduos que são as mais adequadas para essa construção (solidariedade, atenção pelo Outro, preocupação por um ambiente sustentável…).

O que pode trazer de importante a disciplina de Filosofia para o desenvolvimento das qualidades do cidadão do século XXI?

Um pensamento complexo, agregador, integrador, capaz de pensar a realidade a partir de múltiplas perspetivas.
Um pensamento que reflete sobre as suas próprias estruturas e fundamentos.
Um conhecimento que densifica a nossa análise do mundo.

Há competências, atitudes e valores fundamentais para as sociedades do século XXI. Porém, não há competências sem conhecimentos. As atitudes têm uma componente cognitiva. Não se pode criar um ideário que seja acolhedor do Outro, humano ou não humano, presente ou futuro, próximo ou longínquo, que não explore as razões pelas quais devemos escolher esse ideário.

A Filosofia tem um corpo teórico extenso e uma análise, mesmo que superficial, das discussões éticas e políticas nas nossas sociedades mostra-nos que subjacentes a estas questões estão conceitos filosóficos que se foram sedimentando no tempo e que se foram incorporando no modo como politicamente nos organizamos.

Portugal tem uma posição ímpar ao incluir a Filosofia como disciplina obrigatória do ensino secundário não profissional. Cabe-nos a nós, professores de Filosofia, assumir na nossa prática letiva a missão de que a aprendizagem rigorosa e competente dos conhecimentos filosóficos é essencial para o pleno desenvolvimento dos que vão ser os cidadãos do século XXI.

Isabel Bernardo

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