Share

Boletim n.º 29, 2026

Há um ano, neste Boletim, o Editorial terminava com a afirmação de que podíamos continuar a usar a razão filosófica para a procura de caminhos com sentido. A frase talvez parecesse, então, uma forma prudente de resistência perante dias sombrios. Hoje, parece antes uma exigência. Não porque os dias se tenham tornado menos sombrios, mas porque se tornou ainda mais difícil impedir que a lucidez se transforme em resignação.

A violência, a guerra, a degradação da palavra pública, o desprezo pelo outro e a facilidade com que se aceita a sua desumanização continuam a marcar o nosso tempo. A isto juntam-se a velocidade da informação, a multiplicação da desinformação, a agressividade dos discursos e a estranha habituação coletiva ao intolerável. O que antes provocaria espanto, escândalo ou recusa parece, demasiadas vezes, entrar no quotidiano como mais um episódio entre muitos. A banalização é talvez uma das formas mais eficazes da barbárie: não precisa de convencer; basta cansar.

Perante este cenário, falar de esperança pode parecer ingénuo. Mas talvez seja precisamente por isso que importa fazê-lo. A esperança de que precisamos não é otimismo fácil, nem confiança automática no progresso, nem a velha ideia de que a história acabará por se corrigir sozinha.

NOTÍCIAS

Veja aqui todas as noticias APF mais recentes.

VER NOTÍCIAS

EVENTOS

Com carácter científico e didático, dirigidos a especialistas ou ao grande público, os eventos da Apf incluem seminários, palestras, ciclos temáticos, ações de formação creditada e cafés com filosofia.

CONHEÇA OS EVENTOS

RECURSOS

A Apf criou uma área de recursos para professores, estudantes e outros interessados na Filosofia.

VER RECURSOS

Related Posts

Comments are closed.