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Boletim n.º 20, 2017

Como é público, o Ministério da Educação (ME) deu início a um processo de discussão de um perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória, documento que acaba de ser finalizado após a integração de numerosas contribuições produzidas na fase da discussão. Sendo uma das peças do projeto de autonomia e flexibilização curricular que entra em fase piloto no próximo ano letivo, este Perfil passará a ser o referencial de ação das escolas. Não pretendendo ser mais um documento, mas um guia da gestão curricular, o ME deu início a um processo de alinhamento dos programas em vigor, ao que designou de “aprendizagens essenciais” (AE). Ainda que o centro destas seja o corpo teórico e metodológico das disciplinas ou áreas do saber, da identificação das AE faz também parte a enunciação de finalidades e descritores que destacam de que forma cada uma delas contribui, com a sua especificidade, para a concretização do perfil do aluno, contributo que se pretende, em simultâneo, articulado com outras áreas do saber e em projetos de flexibilização curricular.
Enquanto professores de Filosofia, neste momento, é de toda a pertinência pensarmos em qual é o papel específico desta na formação geral dos cursos científico-humanísticos. É importante que no puzzle do currículo, a Filosofia nem se isole sobre si própria nem fique reduzida a um mero papel instrumental de ajudar os alunos a “argumentar bem”. A filosofia tem um extenso e sólido corpo de conhecimentos teóricos de reflexão sobre as estruturas lógicas e cognitivas do pensamento que devem ser assimiladas pelo aluno como instrumentos ativos para um pensamento crítico e auto-reflexivo. As teorias e conceitos filosóficos, a explorar com o rigor científico necessário, devem constituir-se em lentes de interpretação e de ação do mundo, retirando a disciplina do solipsismo em que muitas vezes se parece encerrar. Porém, ao dar-se ao ensino da filosofia este carácter de atividade intelectual, obriga-se o professor a colocar-se como um gestor ativo do currículo, cujo centro é o aluno como aprendente ativo.
Estamos, assim, num momento de charneira, da responsabilidade de todos nós, de dar ao ensino da Filosofia o relevo curricular essencial que tem na concretização do Perfil dos Alunos.

Isabel Bernardo

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