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Mill e o conformismo social de Solomon Asch

“Tal como outras tiranias, a tirania da maioria era inicialmente temida, e vulgarmente ainda é, principalmente na medida em que opera através dos actos das autoridades públicas. Mas as pessoas reflexivas perceberam que quando  a própria sociedade é o tirano – a sociedade  tomada colectivamente, para lá dos indivíduos distintos que a compõem – , os seus meios de tiranizar não se restringem aos actos que pode realizar através dos seus funcionários políticos. A sociedade pode executar as suas próprias ordens, e executa-as, de facto: e se emite ordens incorrectas em vez de correctas, ou se emite ordens em relação a assuntos em que não devia interferir, exerce uma tirana social mais alarmante do que muitos tipos de opressão política, dado que deixa menos meios de escapar – muito embora não seja geralmente imposta através de punições tão extremas -, penetrando muito mais profundamente nos pormenores da vida, e escravizando a própria alma. Por isso, a protecção contra a tirania da magistratura não chega: também e necessária protecção contra a tirania da opinião e do sentimento dominantes; contra a tendência da sociedade para impor, por outros meios que não as punições civis, as suas próprias ideias e prácticas como regras de conduta àqueles que não as seguem, e para restringir o desenvolvimento – e, se possível, impedir a formação – de qualquer individualidade que não esteja em harmonia com os seus costumes, e para forçar todas as personalidades a modelarem-se à imagem da sociedade.”

 

É legítimo traçar um paralelismo entre estas palavras de Mill e os estudos empíricos de Solomon Asch acerca do conformismo social? Pode a opinião dominante da sociedade levar o indivíduo a ser vítima da vontade da maioria, coarctando a sua liberdade individual?

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