
O estado da arte | Filosofia e Humanidade – Edição 2026
Na edição de 2026 deste ciclo temático pretende-se partilhar e discutir cenários a explorar em contexto letivo, propostos por João Gouveia, sob o tema “Filosofia, deliberação e democracia”, a partir do respetivo enquadramento teórico. Prevê-se ainda a apresentação e discussão de dispositivos didáticos elaborados por ex-formandos no âmbito da avaliação final de cursos de formação do plano formativo da Apf 2025-2026.
PROGRAMA
Sessão 1 | 9 novembro 2026 | 21h00
A relevância do ideal deliberativo para a educação: um percurso com início na teoria política, por João Gouveia
Sessão 2 | 16 novembro 2026 | 21h00
Título a indicar, por Ana Antunes
Sessão 3 | 23 novembro 2026 | 21h00
Deliberar sobre justiça no espaço digital: Rawls, redes sociais e democracia, por Isabel Bernardo
Título a indicar, por Teresa Morais
Destinatários
Docentes, estudantes e interessados em geral
Preçário
Associados com quotas em dia: 20€
Não Associados (docentes e não docentes): 25€
Estudantes dos Mestrados em Ensino de Filosofia (com comprovativo de matrícula): gratuito
Formação a acreditar na modalidade de Formação de Curta Duração, para efeitos da carreira docente (apenas para docentes do sistema de ensino não superior português, em exercício de funções confirmável por uma escola pública ou privada), com a duração de 3h.
Certificado de formação a emitir pelo CFAE Beira Mar, após a conclusão do processo administrativo.
Para obter a acreditação, é necessária Conta de docente na plataforma do CFAE Beira Mar (AQUI).
A Apf fornecerá ao CFAE parceiro as informações necessárias para a emissão dos certificados de formação, que ficarão acessíveis aos docentes, no final do processo, na área reservada de cada formando em “Histórico”, na plataforma do referido CFAE.
Certificado de participação a emitir pela Apf para todos os participantes que não reúnam condições ou não pretendam certificação de curta duração.
Palestrantes | Notas biográficas e resumos
Ana Antunes é licenciada em Filosofia (Ramo Educacional) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Mestrado em Ensino da Filosofia no Ensino Secundário.
Professora do quadro do Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo, onde exerce o cargo de Coordenadora da Estratégia de Educação para a Cidadania desde 2018 até à presente data. Formadora de Cidadania e Desenvolvimento, Cidadania Digital e Cidadania e Filosofia.
Deliberar sobre justiça no espaço digital: Rawls, redes sociais e democracia, por Isabel Bernardo
A comunicação apresenta uma atividade desenvolvida com alunos do 10.º ano, em articulação entre Filosofia, Cidadania e Desenvolvimento, PADDE e Biblioteca Escolar, no âmbito do ProLiteracias / IA – Inteligência Atenta. Partindo da questão “Podem as redes sociais estar a contribuir para um mundo mais injusto?”, os alunos investigaram problemas atuais do espaço digital — violência contra mulheres na vida pública, discurso de ódio contra migrantes, desinformação algorítmica, cultura de cancelamento e ódio online contra minorias étnicas. O trabalho articulou investigação guiada, escrita filosófica, apresentação oral e simulação de uma assembleia deliberativa. Com base na teoria da justiça de John Rawls, e considerando objeções inspiradas em Nozick e Sandel, cada grupo formulou um problema filosófico, analisou dados empíricos, defendeu uma tese e propôs um princípio de justiça para regular as redes sociais. O foco central da atividade foi a deliberação: os alunos tiveram de apresentar razões públicas, escutar objeções, responder criticamente, reformular propostas e procurar um princípio comum que pudesse ser aceite por cidadãos livres e iguais. A atividade procurou, assim, transformar a aprendizagem filosófica num exercício de participação democrática, no qual argumentar não significou apenas defender uma posição, mas pensar com os outros sobre condições mais justas de vida pública digital.
Isabel Bernardo é licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e doutorada em Multimédia em Educação pela Universidade de Aveiro, com investigação em Didática da Filosofia, pensamento crítico e integração pedagógica das tecnologias digitais. É ainda pós-graduada em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Aberta. É professora do ensino secundário e professora bibliotecária, coautora de um manual escolar e autora de diversos artigos na área da Didática da Filosofia. Tem desenvolvido formação de professores em Didática da Filosofia, educação e formação de adultos, bibliotecas escolares, competências digitais, autonomia e flexibilidade curricular. Dinamiza o projeto “Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca”, no âmbito do qual se integra “O aprendiz de investigador” (aprendizinvestigador.pt). Desde 2024, participa no programa OE4BW — Open Education for a Better World, da UNESCO — como mentora e criadora, em projetos nas áreas das STEAM e da saúde mental dos jovens. Participou também no ASEF Classroom Network, como mentora em 2024 e como criadora em 2023 e 2026, onde tem desenvolvido trabalhos de investigação e intervenção pedagógica sobre a relação entre inteligência artificial e educação.
A relevância do ideal deliberativo para a educação: um percurso com início na teoria política, por João Gouveia
A deliberação afirmou-se, desde os anos 80 do século XX, como um dos valores principais para o aprofundamento das democracias liberais. Por um lado, diferentes visões filosóficas avançaram formas de concretização deste ideal, procurando, no fundo, explicar de que forma podem os padrões deliberativos das nossas sociedades ser elevados com consequências positivas ao nível da participação e do envolvimento político generalizado. Por outro lado, surgiram iniciativas práticas de organização de fóruns de discussão ativa sobre questões com impacto para a vida de todos (os chamados minipopulus). Os resultados positivos alcançados por este ambiente favorável à deliberação ativa vieram a ser contestados por teóricos da democracia agonística, céticos em relação à capacidade da argumentação e da discussão cívica para produzirem entendimentos reais. Ainda assim, isso não impediu que a ideia de deliberação penetrasse nas ciências da educação e despertasse também a atenção de profissionais do ensino, interessados em incutir nos alunos hábitos propícios à participação cívica (como o envolvimento em conversas críticas e o compromisso com soluções acordadas). Apesar de algumas tentativas já feitas para estimular nas escolas um clima de liberdade suficientemente forte para abarcar a expressão de discordâncias (ao jeito das visões agonísticas), é a visão deliberativa que continua a mostrar resultados positivos ao nível da integração e da motivação dos alunos para a discussão sobre assuntos com relevância pública.
João Gouveia é mestre em Filosofia Política e em Ensino da Filosofia no Ensino Secundário. Tem experiência em projetos de investigação internacional e atualmente executa um projeto de doutoramento sobre a Filosofia da revelação de Friedrich Wilhelm Schelling no Instituto de Estudos Filosóficos, da Universidade de Coimbra. A sua atenção divide-se entre as áreas da filosofia da religião, filosofia política e ensino da filosofia. Nos últimos anos, tem ministrado formações sobre deliberação e democracia na Associação de Professores de Filosofia.
Teresa Morais é licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Mestre em Relações Interculturais pela Universidade Aberta. Professora de Filosofia no Ensino Secundário desde 1986. Formadora de professores desde 1997 nas áreas da Educação Intercultural, Aprendizagem Cooperativa, Avaliação Formativa e Pensamento Crítico. Membro do grupo WebPACT da UTAD e do Laboratório de Pensamento Crítico da Unidade de Aprendizagem e Desenvolvimento da UTAD. Tem publicações sobre aprendizagem cooperativa, pensamento crítico, estratégias de promoção das capacidades argumentativas e autorregulação das aprendizagens.
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