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Ousa Pensar! Edição 2023

O ciclo de conferências a oferecer às escolas em 2023 continua a ter a finalidade de discutir o mundo pelos olhos da razão, quer através de situações de aprendizagem a criar em contexto letivo por professores e alunos em atividades preparatórias da participação das escolas quer mediante as intervenções de oradores convidados, especialistas em diversas áreas da Filosofia e com experiência na inclusão ativa do público juvenil na descoberta de abordagens, autores e teorias para além das temáticas e dos filósofos contemplados nas Aprendizagens Essenciais e, nessa medida, não explorados nas aulas de Filosofia.

 

A delimitação da ciência, a discussão da legitimidade da guerra, as potencialidades do questionamento acerca do mundo e o debate acerca da identidade pessoal constituem pontos de partida para uma interpelação filosófica da realidade.

 

Consulte infra as indicações para a inscrição da sua escola.

Calendário a divulgar até 30 de setembro de 2022.

Inscrições AQUI.

 

PROGRAMA

Artur Galvão

Ciência e Pseudociência: É Importante demarcar a ciência?

A investigação científica representa uma das melhores e mais fundamentais formas de conhecimento humano. A sua importância, seja ao nível teórico, prático e educativo, é usualmente reconhecida e valorizada. Contudo, o prestígio que alcançou torna-a uma vítima frequente de invejas, apropriações, distorções e negações. Para além disso, a má compreensão da sua natureza, poder e alcance geram falsas esperanças e expetativas, que ao não se verem realizadas geram reações irracionais (anti e/ou a-científicas). Defender a ciência implica, em primeiro lugar, compreendê-la e separá-la de outras formas de conhecimento legítimo e, sobretudo, das abordagens para e pseudocientíficas. Esta comunicação pretende responder positivamente à pergunta-problema: É importante demarcar ciência? Para tal usar-se-ão alguns casos contemporâneos.

 

Artur Ilharco Galvão é docente na Faculdade de Filosofia e Ciência Sociais, da Universidade Católica Portuguesa – Braga. Integra a direção da Revista Portuguesa de Filosofia e, entre outras, leciona as unidades curriculares de Epistemologia, Filosofia da Ciência e Filosofia da Linguagem.

 

António Paulo Costa

Terá fundamento a distinção entre combatentes e não combatentes feita no contexto da Teoria da Guerra Justa?

A Teoria da Guerra Justa apresenta-nos um conjunto de critérios com os quais se pode determinar se a conduta dos exércitos durante os conflitos é moralmente aceitável. Um desses critérios é o da imunidade dos não combatentes, isto é, o dever de não atacar populações não combatentes durante um conflito. De acordo com este critério, a ação das armas deve circunscrever-se aos combatentes e às estruturas militares das forças inimigas e não dirigir-se a populações indefesas ou a estruturas civis, como hospitais. O ataque a estas constitui, pois, uma violação de uma das regras da guerra justa e determina que o atacante seja condenado pela sua conduta imoral. Porém, o critério da imunidade dos não combatentes assenta na distinção entre combatentes e não combatentes. Até que ponto tem fundamento esta distinção? Até que ponto é exequível no terreno de um conflito? Será que numa guerra alguém é genuinamente não combatente? Ou, pelo contrário, não será que as populações civis que também contribuem para o esforço de guerra se tornam, por isso, alvos legítimos e elegíveis pelo inimigo? Nesta comunicação, analisaremos um argumento contra a distinção entre combatentes e não combatentes e discutiremos possíveis respostas. Se aquela distinção for infundada, como defende o seu autor, alguns ataques a civis que julgamos como atrocidades podem, afinal, não ser moralmente condenáveis.

 

António Paulo Costa é professor no Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo (Coimbra). É licenciado em Filosofia – Ramo de Formação Educacional, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desempenhou funções no Gabinete de Avaliação Educacional e no IAVE, I.P. e foi formador de professores acreditado pelo CCPFC nas áreas da Didática e da Avaliação das Aprendizagens em Filosofia. É ex-membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Filosofia e co-fundador do Centro para o Ensino da Filosofia da SPF. Nos últimos anos teve funções de tutoria junto de alunos refugiados sírios e sudaneses. Anima o blogue «A última guerra nos Balcãs» (https://aultimaguerranosbalcasblog.wordpress.com/) e um grupo no Facebook com o mesmo nome.

 

Tomás Magalhães Carneiro

Café Filosófico – A arte de perguntar

Com o fito de proporcionarmos aos alunos uma experiência de Diálogo Socrático procuraremos dinamizar um exercício on-line que envolva as várias turmas presentes na sessão. Partindo das perguntas dos próprios alunos, convidaremos à participação de outros colegas de outras turmas para que essa pergunta seja problematizada e aprofundada de diferentes perspetivas.

Desta forma procuraremos mostrar aos alunos outras potencialidades da metodologia filosófica além da mais comum e conhecida interpretação, argumentação e debate de ideias. O Diálogo Socrático entendido como uma forma de fazer filosofia que pode ser aproveitada por qualquer um independentemente do seu conhecimento de história das ideias, grau académico ou pedigree filosófico.

 

Preparação: Para este exercício filosófico cada aluno deve, antes da sessão começar, pensar e escrever numa folha uma pergunta que considere importante para a sua vida, que considere que tenha interesse para a maioria das pessoas, que seja suficientemente desafiadora (de preferência uma pergunta que não tenha lido num manual de Filosofia) e cuja resposta gostava de ver respondida (idem). Contamos com a ajuda dos professores para fazerem este exercício prévio à sessão e, com a ajuda dos alunos escolherem 3 ou 4 perguntas de entre a sua turma que os alunos achem consensualmente importantes, interessantes e desafiadoras. Nesta sessão não teremos seguramente tempo de trabalhar com todas as perguntas mas fica lançado o convite para que a dinâmica deste exercício tenha continuidade em sala de aula após a nossa sessão. O desafio aos alunos pode ser lançado da seguinte forma:

– Escreve uma pergunta que consideres importante, interessante e desafiadora.

 

Tomás Magalhães Carneiro nasceu em Évora em 1977 mas vive no Porto desde 1978. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é professor de Filosofia com Crianças, formador nas áreas do Pensamento Crítico e do Diálogo em Aula e é um dos fundadores do Clube Filosófico do Porto onde modera sessões de Café Filosófico e outros eventos dedicados à divulgação da Filosofia na Cidade. Na Academia do Diálogo leciona os cursos de “Pensamento Crítico e Argumentação”, de “Filosofia com Crianças” e é moderador de vários diálogos filosóficos.

 

Luís Veríssimo

O que faz com que uma pessoa seja a mesma ao longo do tempo?

As questões sobre a nossa identidade numérica assumem todas a seguinte forma. Temos dois modos de referir uma pessoa e perguntamos se esses são dois modos de referir a mesma pessoa. […] Nas questões mais importantes deste género, os dois modos de referir uma pessoa captam uma pessoa em momentos diferentes. […] Estas são questões sobre a identidade ao longo do tempo. Para responder a estas questões, temos de conhecer o critério da identidade pessoal: a relação entre uma pessoa num momento e uma pessoa noutro momento que faz delas uma e a mesma pessoa.

Derek Parfit (1995). “The Unimportance of Identity” in Identity, de H. Harris (ed.), Oxford: Oxford University Press, p. 14.

 

Luís Veríssimo é doutorado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Publicou artigos de Filosofia em revistas internacionais de especialidade. É autor de manuais escolares do Ensino Secundário das disciplinas de Filosofia e Psicologia, bem como de materiais didáticos. Leciona cursos de formação em Lógica, Ética, Metafísica e Filosofia da Religião.

 

 

SESSÕES E INSCRIÇÃO DAS ESCOLAS

Sessões

Com uma hora de duração, e cerca de 15 minutos para debate, as sessões decorrem por videoconferência na plataforma Zoom.

Presença de até 10 escolas por sessão em simultâneo. Cada escola definirá a organização interna, podendo ser possíveis até 8 acessos por cada escola.

 

Organização e inscrição

A Apf:

– informará as escolas da efetivação da reserva após 30 de novembro de 2022. Poderão ser aceites novas inscrições após essa data, em função do número de reservas efetivadas;

– assegurará toda a logística inerente à articulação com os palestrantes e respetivos honorários, a abertura da sessão na Zoom e envio do link para acesso à sessão.

 

A escola:

– assegura a logística local, nomeadamente a ligação à Internet, a qualidade do som em sala e a forma de fazer chegar as questões aos palestrantes. Poder-se-á utilizar o chat da Zoom.

 

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