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O estado da arte

O ESTADO DA ARTE

Conquanto os problemas fundamentais da filosofia tenham sido colocado há séculos, a investigação teórica sobre eles continua a ser intensa, havendo atualmente inúmeras linhas de investigação em curso. Por sua vez, colocam-se hoje outros problemas práticos, resultantes dos desafios que o quotidiano levanta.
No ciclo temático “O estado da arte” pretende-se apresentar algumas das linhas mais recentes de investigação e discussão filosóficas. Com a ambição de ser um ciclo com várias edições ao longo do tempo, procurar-se-á em cada edição dedicar pelo menos uma sessão a uma das disciplinas mais nucleares da filosofia (filosofia do conhecimento, lógica, ontologia…) e as restantes a temas e áreas com uma dimensão mais prática.

As sessões decorrerão online, através da plataforma de videoconferência Zoom e terão a duração de uma hora.

Formação creditada na modalidade de curta duração, com efeitos na carreira docente, pelo CFAE Beira Mar.

2020 | SEGUNDA EDIÇÃO
abril / maio
Filosofia da Arte
Filosofia e ambiente

Programa e informações relativas aos conferencistas a disponibilizar em breve.

2020 | TERCEIRA EDIÇÃO
outubro/novembro
Filosofia da Religião
Filosofia e bioética

2021 | QUARTA EDIÇÃO
abril / maio
Filosofia da Ciência
Filosofia e justiça social

PRIMEIRA EDIÇÃO 2019

2019 | PRIMEIRA EDIÇÃO | Das 21h às 22H
Filosofia do conhecimento | 19 de novembro 2019

Artur Galvão, Universidade Católica Portuguesa (Braga) | O valor do conhecimento: o advento da treta e do Keyfabe
Em 1980 Isaac Asimov argumentava estar a desenvolver-se nos EUA um culto da ignorância, assente na falsa noção de que “democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o teu conhecimento”. Presentemente, o mundo ocidental democrático vê-se confrontado com o surgimento de múltiplos fenómenos culturais (p.e. ressurgimento da defesa da Terra plana e movimentos anti-vacina) que perpetuam a noção de que ter direito à opinião equivale a ter uma opinião de valor. Mais do que o lado ‘caricatural’ da audácia ignorante destes movimentos, devemos preocupar-nos com o facto de minarem a confiança, que tem norteado as sociedades ocidentais democráticas desde a sua fundação, no valor do conhecimento e da verdade. Nesse sentido, a treta e o kayfabe, tradicionalmente mais resguardados no espaço privado, invadiram o espaço público e ameaçam tornar-se dominantes. Partindo das reflexões de H. Frankfurt reanalisa-se o problema do valor do conhecimento.

Filosofia aplicada | 29 de outubro de 2019
Cecília Tomás, CEFI (Centro de Estudos de Filosofia) da Universidade Católica Portuguesa | Transhumanismo, singularidade e capitalismo de vigilância
Na era da Internet de todas as Coisas, do Big Data, da Inteligência Artificial e de todos os progressos ligados à tecnologia computacional, científica, médica e cognitiva, emerge um contexto filosófico associado à demarcação do ser humano como uma espécie de ‘humano aumentado’, cuja simbiose com a máquina permite a transcendência da génese humana e, assim, a criação da singularidade. Sinónimo de inteligência plena e mesmo de imortalidade, a singularidade é um conceito associado ao transhumanismo cuja dimensão ética remonta ao capitalismo de vigilância tão típico das sociedades contemporâneas desenvolvidas que hoje conhecemos e cujas ideias de inclusão e de diversidade parecem, cada vez mais, meras utopias.

05 de novembro 2019
Joaquim Escola, UTAD | A Filosofia numa civilização informacional digital
O mundo em que habitamos tem hoje a presença incontornável da tecnologia, deixando entrever a tendência para a incorporação no quotidiano de cada um continua de dispositivos tecnológicos, sobretudo os mais recentes saídos da revolução informática.
A filosofia  tem hoje no contexto tecnocientífico em que se desenvolve, ou no que Hans Jonas designou por civilização tecnológica, um espaço completamente aberto e interpelante para um conjunto de questões que urge pensar. São muitas as perguntas que emergem, no entanto, pretendemos discutir apenas quatro dos desafios com que a filosofia se debate numa sociedade informacional digital.
O primeiro grande desafio está centrado na relação com o tempo. O pensamento de Paul Virilio, em torno da dromologia, convida-nos a refletir sobre as implicações da velocidade na contemporaneidade. Como continuar a meditar filosoficamente num tempo acelerado, isto é, num tempo marcado pelo signo da rapidez e do imediato? A meditação filosófica tem como pressuposto a necessidade de um tempo distendido que não se compagina com a urgência que os “veículos mediáticos” impõem.
O segundo desafio prende-se com a participação e intervenção cidadã no ciberespaço numa sociedade que se pretende aberta e transparente.
O terceiro desafio que pretendíamos discutir é o desafio da construção da identidade pessoal, profissional no que Echeverria, desde o ensaio Telepolis,  tem designado por teletrabalho.
Por fim, o desafio das relações interpessoais, intersubjetivas, mas também profissionais que as redes sociais desencadearam.

12 de novembro de 2019
Sofia Miguens | Filosofia e feminismo: três casos
A história aprofundada das relações do feminismo com a filosofia está por fazer e seria certamente reveladora de disputas e linhagens em filosofia contemporânea. Os cruzamentos do feminismo com a filosofia são muitos: vão de concepções da corporeidade na relação com a mente ou espírito a questões de expressão (quer no sentido austiniano de prática performativa da linguagem, quer no sentido político de liberdade de expressão), até questões éticas, políticas e jurídicas relativas à liberdade e igualdade, exploração e dominação, justiça e reconhecimento. Assim sendo, os nomes da filosofia contemporânea relevantes para o feminismo são eles próprios muito diversos e associados a orientações distintas: da proximidade com o existencialismo de uma autora como Simone de Beauvoir, à proximidade com a Escola de Frankfurt de Seyla Benhabib, discípula de Habermas, à proximidade do pensamento de Derrida e Lacan de teóricas francesas como Hélène Cixous e Luce Irigaray, até à proximidade do contexto da filosofia anglófona de feministas como Catharine MacKinnon, Andrea Dworkin, Iris Marion Young ou Rae Langton, a diversidade é clara. Da mesma forma que as orientações filosóficas das autoras e activistas feministas são diversas, aquilo que historicamente interessou fazer foi muito diferente em épocas diferentes: da luta pelo voto, à discussão dos entendimentos do corpo e da identidade, a discussões sobre concepções sociais, políticas e legais de masculino e feminino, à defesa de ideias como a de que noções convencionais de género servem uma função de opressão, a batalhas legais em torno da circulação da pornografia no espaço público, até discussões da natureza da ética e de questões de âmbito antropológico amplo, como a convencionalidade da natureza humana e a natureza das nossas respostas morais. Nesta sessão serão explorados três exemplos.

Artur Galvão

Artur Ilharco Galvão é professor assistente na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa (Braga). Leciona as unidades curriculares de Epistemologia, Filosofia da Ciência, Filosofia da Linguagem, Lógica Informal e Argumentação e Investigação Orientada 1 e 2. Leciona/ou múltiplas unidades opcionais e seminários em áreas como Filosofia e o Amor, Filosofia no Cinema, Teorias da Racionalidade, Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas.Tem feito pesquisa no âmbito do pragmatismo e do pensamento tomista, tendo-se especializado no pensamento filosófico de A. MacIntyre e R. Rorty. É membro do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos. É secretário da Revista Portuguesa de Filosofia. Tem organizado e participado em Congressos Internacionais e realizado múltiplas conferências. Tem organizado e orientado múltiplas ações de formação de professores e de profissionais do mundo empresarial. Tem colaborado com conferências e workshops em escolas secundárias de todo o país.

Cecília Tomás

Professora de Filosofia e Educação Especial. Doutoranda na área das Ciências da Educação sob a égide dos Desafios Éticos do Internet das coisas na Universidade Aberta. Mestre em Pedagogia do e-learning e Especializada em Educação Especial. Pós-graduada em Educação para a Cidadania e licenciada em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa. Investigadora no Centro de Estudos de Filosofia (CEFi) da Universidade Católica Portuguesa e no Laboratório de Ensino a Distância (LE@D) da Universidade Aberta, dedicando-se a investigar as implicações ético-filosóficas nas áreas da Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Web Semântica, Acessibilidade, Open Data e Personalização na educação.
Autora de trabalhos académicos tais como Web semântica e personalização: repercussões da interação semântica com recursos educacionais abertos na identidade virtual do estudante e nos ambientes de aprendizagem online e A acessibilidade das Plataformas eLearning em instituições de Ensino superior Público em Portugal: Contributos Iniciais. Autora de artigos internacionais dos quais se destaca OER Studies in Portugal – POERUP (Policies for OER Upstake). Participação no livro (com a escrita de artigos) Ensinar e Aprender Filosofia no Mundo Digital da CFUL (2014).

Joaquim Escola

Professor Auxiliar de nomeação definitiva da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Licenciado em Filosofia e Mestre em Filosofia Contemporânea pela Universidade de Coimbra,  Doutor em Educação pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2003).
Membro integrado do Centro de I&D – Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, onde colaborou como como Professor Convidado. Participa ainda em dois centros de investigação estrangeiros:  membro do Centro de I&D Educação Comparada da Universidade de Salamanca (Espanha) e do LAGERES da Universidade Federal da Paraíba – Brasil.
No quadro da gestão académica, desempenhou vários cargos: Diretor de Departamento de Educação e Psicologia, Vice Presidente da Escola de Ciências Humanas e Sociais, Presidente do Conselho Pedagógico da Escola de Ciências Humanas e Sociais, Membro do Conselho Académico da UTAD, diretor de vários ciclos de Estudo (Licenciaturas, Mestrados e Doutoramento em Ciências da Educação)
No domínio da investigação orientou várias dissertações de mestrado e teses de doutoramento e publicou vários livros, capítulos de livros, artigos científicos em revistas indexadas.
É conferencista convidado em congressos nacionais e internacionais.

Sofia Miguens

É professora e investigadora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde dirige o Instituto de Filosofia e o Gabinete de Filosofia Contemporânea. Foi investigadora visitante na Universidade de Nova Iorque e na Universidade de Sydney (Austrália) e professora visitante
em Amiens (França). Tem lecionado cursos e feito conferências em Espanha, França, Alemanha, Áustria, Turquia, Suíça, Finlândia, Austrália, Polónia, China, entre outros países. Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia e Diretora do Departamento de
Filosofia da FLUP. Publicou dezenas de artigos em várias línguas nas suas áreas de especialidade (mente e linguagem, filosofia moral e história da filosofia contemporânea). É autora de oito livros, o mais recente dos quais é “Uma leitura da filosofia contemporânea: figuras e movimentos”, publicado em 2019 (Edições 70). Em 2019 publicará também The Logical Alien (Harvard University Press).

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