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Da Epistemologia à Democracia | 50 anos de abril de 74

Ambicioso foi o ideário do 25 de abril de 1974, nomeadamente na educação.
Há 50 anos, Portugal era um dos países europeus com maior taxa de analfabetismo. Há 25 anos, a maioria dos portugueses não tinha concluído o ensino secundário. Hoje, o sistema de ensino português é reconhecido como um exemplo, nomeadamente no que respeita à gestão do currículo. Mas, estará o ideário do 25 de abril a ser efetivamente cumprido? É a escola portuguesa uma escola democrática? Há nas escolas portuguesas uma tensão entre epistemologia e democracia? Essa tensão tem necessariamente de existir?

 

A Apf propõe um seminário, a realizar-se no dia 13 de abril de 2024, por vídeoconferência, na plataforma Zoom.

 

Certificação

De presença, para os que não reúnam condições de certificação de curta duração.

Na modalidade de formação de curta duração (4h), para docentes em exercício de funções no sistema de ensino português. Para obter esta acreditação será necessário o registo na plataforma do CFAE Beira Mar, caso nunca tenha sido feito. A APF fornecerá ao CFAE Beira Mar as informações necessárias para registo na turma de formação e emissão dos certificados, que se encontrarão, no final do processo, na área reservada de cada formando.

 

Preçário

Associados com as quotas em dia: 15€

Não associados: 25€

Estudantes: 5€

 

PROGRAMA

09h00 Palavra de boas-vindas

 

09h15 Da epistemologia à democracia: tensões e intenções

Democratizar a democracia: Que desafios epistemológicos?, por Eunice Macedo, Universidade do Porto

Entre a inclusão de todos e a distinção dos melhores: percursos e transições dos alunos de excelência, por Leonor Torres, Universidade do Minho

A Avaliação no caminho para a equidade na educação, por Luís Pereira dos Santos, Presidente do Conselho Diretivo do IAVE I. P.

Rosa Monteiro, Universidade de Coimbra

 

11h30 Intervalo

 

11h45 Da epistemologia à democracia: práticas de cidadania nas escolas

Festival Internacional de Cartoons Escolares, por Ana Antunes e Ricardo Ferreira, do Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo

Da epistemologia à democracia: práticas de cidadania nas escolas, por Maria Manuela Miranda, Escola Secundária Lima-de-Faria (ESLdF), Cantanhede

 

Palestrantes e resumos

Ana Antunes

Coordenadora da Estratégia de Educação para a Cidadania do Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo

Ricardo Ferreira

Docente de Educação Visual, fundador/responsável pelo Festival Internacional de Cartoons do Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo e cartoonista internacional

Festival Internacional de Cartoons Escolares

O ISCFTP – Festival Internacional de Cartoons do Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo é um projeto do grupo disciplinar de expressões e do Clube de Artes da Escola Secundária de Molelos. Tem como parceiros o Município de Tondela, a Biblioteca Escolar e a Estratégia de Educação para a Cidadania. Este festival, para além de apelar à utilização de novas linguagens gráficas e tecnológicas, visa também desenvolver a capacidade de expressão, a sensibilidade estética, as competências de comunicação, de reflexão crítica e de intervenção na sociedade. Os alunos são convidados a pensar sobre temas da atualidade: direitos humanos, alterações climáticas, direito à educação, igualdade de género, alimentação, sustentabilidade do planeta. O Festival decorre desde o ano letivo 2017-18 e no presente ano letivo o tema é a Liberdade inserindo- se nas comemorações dos 50 anos do 25 de abril.

 

Eunice Macedo

Professora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e membro integrado do CIIE – Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), onde co-coordena a comunidade de práticas de investigação PIV – Políticas de Inclusão e Vozes: diversidade, género e interseccionalidade. A sua investigação sobre educação, cidadania e género, em particular com jovens nas escolas, sustenta o seu trabalho de intervenção junto das comunidades, em busca de formas de educação e de vida ligadas à felicidade e à realização pessoal, e mediadas pelo mundo. É vice-presidente da direção do Instituto Paulo Freire de Portugal.

 

Democratizar a democracia: Que desafios epistemológicos?

A visão que se propõe neste debate é a da recuperação de valores cruciais a uma democracia inclusiva (Young, 2000), através de um diálogo aberto que valorize as diversidades (Macedo e Carvalho, 2022). Fala-se, então, da epistemologia, enquanto filosofia do conhecimento, que se constrói no cruzamento entre diferentes saberes com igual espaço para se expressar; o que implica a possibilidade de cada pessoa/ grupo comunicar nos seus próprios termos, na construção democrática.

Na obra A metáfora do coração e outros escritos, a filósofa Maria Zambrano, recupera a relação entre filosofia e poesia para argumentar em favor de uma racionalidade informada pelos afetos. A filósofa Fernanda Henriques (2001) acentua que Maria Zambrano não faz uma equivalência entre cérebro e coração, mas mostra a importância da via do coração, como espaço fecundo, diria eu, para o reforço de um espaço cultural mais humano e agregador.

Face ao desafio de democratizar a democracia, expressão inspirada em Andrea Cornwall e Anne Marie Goetz (2005), nesta comunicação advoga-se a necessidade de construção de uma democracia com afetos, no quadro de uma razão poética, estabelecida como espaço de rutura com a rigidez de um racionalismo distanciado, objetivista, autossuficiente, e que passa, portanto, a integrar os diferentes elementos da realidade através da reconciliação e do reencontro entre os dois logos: filosofia e poética (Peniche e Macedo, 2003).

 

Leonor L. Torres

Professora Associada com Agregação do Instituto de Educação da Universidade do Minho. É socióloga e doutorada em Ciências da Educação, especialidade de Organização e Administração Escolar. Os interesses de investigação têm incidido sobre a cultura organizacional, os processos de liderança, os percursos de excelência na escola e no mundo do trabalho. É Diretora do Centro de Investigação em Educação (CIEd) e Coordenadora do Mestrado em Ciências da Educação, especialização em Administração Educacional. Desempenhou os cargos de Vice-Presidente e de Presidente do Conselho Pedagógico do Instituto de Educação da Universidade do Minho entre 2013 e 2017.

Informações mais detalhadas podem ser consultadas no Cienciavitae

 

Entre a inclusão de todos e a distinção dos melhores: percursos e transições dos alunos de excelência

Embalada pelas recentes mutações operadas aos níveis macroeconómico e educativo, a escola pública portuguesa tem vindo progressivamente a incorporar um ideário meritocrático focado na produção de resultados e na celebração da excelência como ritual de distinção. Embora a instituição Escola não se tenha desvinculado da sua matriz democratizadora, denota-se, contudo, uma certa subordinação dos processos de escolarização às lógicas de promoção do desempenho académico. Esta intervenção visa debater criticamente os sentidos da agenda meritocrática na esfera educativa e sua relação com o mundo do trabalho. Pressionadas à concretização de mandatos cada vez mais transbordantes (Nóvoa, 2017), como se posicionam politicamente as organizações escolares perante a difícil conciliação entre a democratização e a performatividade? Quais as conceções de excelência mais valorizadas no universo escolar e no mundo do trabalho? Tomando como referência os resultados de alguns projetos de investigação, em particular o projeto Entre Mais e Melhor escola: a excelência académica na escola pública portuguesa (PTDC/IVC-PEC/4942/2012), propõe-se uma reflexão em torno de três tópicos: i) os dilemas entre a democratização e performatividade; ii) o perfil dos alunos de excelência do ensino secundário; iii) os efeitos da socialização performativa na transição para o ensino superior e para o mercado de trabalho. Conclui-se com algumas notas sobre a importância da escola pública como espaço plural de vivência democrática e de alargamento dos horizontes educativos dos jovens.

 

Luís Pereira dos Santos é licenciado em Ensino da Física e Mestre em Didática das Ciências, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Foi professor de Física e Química, vogal do Conselho Diretivo e Vice Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária da Cidade Universitária, até 2001. Foi técnico da assessoria técnico-pedagógica do Júri Nacional de Exames, de 2001 a 2005. Foi Chefe de Divisão de Formação de Professores e Diretor de Serviços de Recursos Multimédia na DGIDC, entre 2005 e 2011. Foi Presidente do Júri Nacional de Exames de 2011 a fevereiro de 2019. Exerce atualmente o cargo de Presidente do Conselho Diretivo do IAVE.

A Avaliação no caminho para a equidade na educação

A avaliação pedagógica constitui-se como uma vertente fundamental do processo de ensino e de aprendizagem dos alunos. A avaliação, mais ou menos formalizada, mais sumativa, fazendo um balanço das aprendizagens, ou mais formativa, fornecendo informações para o processo de ensino e de aprendizagem, deve ser o farol que guia todos os intervenientes nos processos pedagógicos, cumprindo os seus três pilares principais, recolher dados, explorar e agir. Recolher dados sobre o grau de desenvolvimento das aprendizagens dos alunos, através de um determinado instrumento de avaliação, explorar esses dados, transformando-os em informação útil e adequada para o trabalho de professores e alunos, e, por fim, talvez o mais importante, agir em conformidade com as evidências dos resultados da avaliação, ajustando didáticas, por parte dos professores, ou trabalhando de outras formas, por parte dos alunos.

A não observância do percurso completo através destes três pilares do processo avaliativo pode ser uma das causas para o défice de equidade no sistema educativo português, documentada nas várias avaliações efetuadas, sejam elas de carácter nacional ou internacional. Ao não percorrermos estas três etapas do processo avaliativo, em particular, o agir na sala de aula, estamos a retirar muitas possibilidades de sucesso educativo e de igualdade de oportunidades aos alunos, pondo em causa um dos princípios básicos da nossa democracia.

Não obstante os extraordinários progressos feitos pela escola pública desde o 25 de Abril, a falta de equidade é, por conseguinte, o grande desafio do sistema educativo português no próximo futuro. Cabe à escola e aos professores, utilizando as ferramentas que têm ao seu dispor, e com o contributo da avaliação, promover mais e melhores aprendizagens entre todos os alunos.

 

Maria Manuela Gonçalves de Miranda

Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e com o Curso de Ciências Religiosas do Instituto Superior de Estudos de Teologia de Coimbra. Docente de EMRC na Escola Secundária Lima-de-Faria e membro da direção da ONGD Associação S.O.G.A. – Servir Outra Gente com Amor. Participou em duas missões humanitárias à Guiné-Bissau, experiências relevantes que lhe permitiram desenvolver um trabalho na comunidade escolar pautado pela mobilização de vontades para o apoio a projetos humanitários junto da população da ilha de Sogá, do arquipélago dos Bijagós.

Da epistemologia à democracia: práticas de cidadania nas escolas

O Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória prevê uma formação integral dos educandos para que se “tornem pessoas autónomas e responsáveis e cidadãos ativos”. Para que os alunos possam ir adquirindo estas competências não basta transmitir-lhes conteúdos cognitivos, mas, sobretudo, proporcionar-lhes oportunidades de irem treinando e adquirindo hábitos que os levem a assumir comportamentos empreendedores, responsáveis e solidários.

Na Escola Secundária Lima-de-Faria (ESLdF), Cantanhede, o Gabinete do Aluno assume-se como um espaço de acolhimento e acompanhamento dos alunos, mas também como um polo dinamizador de atividades e projetos que, ao visarem o bem comum, promovem comportamentos de autovalorização, de solidariedade e de responsabilidade ética e social. São muitas as causas que nos movem, mas tem um relevo especial o apoio à Associação S.O.G.A. – Servir Outra Gente com Amor, uma ONGD que tem como propósito a promoção e defesa dos direitos humanos e que apoia especialmente a Ilha de Soga, do Arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau.

Faz parte da cultura de escola este projeto humanitário que é já uma marca identitária de todo o Agrupamento uma vez que as iniciativas de apoio se estendem a todas as escolas que o compõem, desde o pré-escolar ao secundário.

 

Rosa Monteiro

Licenciada em Sociologia e Doutorada em Sociologia (Sociologia do Estado, do Direito e da Administração), pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e Centro de Estudos Sociais (CES). É Professora Auxiliar da FEUC e investigadora do CES. Foi Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade nos XXI e XXII Governo Constitucional (2017-2022), com responsabilidade política e tutela das áreas da igualdade de género, prevenção e combate da violência contra as mulheres e violência doméstica, direitos LGBTI+, tráfico de seres humanos, combate ao racismo e discriminação racial, integração das pessoas ciganas, migrações. Coordenou o Grupo de Trabalho de Educação para a Cidadania entre 2016-2017.

Na última década, centrou a sua análise no domínio das políticas públicas de igualdade e não discriminação, mainstreaming de género e organismos oficiais para a igualdade e a não discriminação.

Participou nos estudos de avaliação do II e do III Planos Nacionais para a Igualdade, e na avaliação da “Integração da perspetiva de género nos Fundos Estruturais: QREN e FEDER”. Coordenou vários projetos de elaboração de Planos para a Igualdade em Câmaras Municipais e ONG. Tem diversas publicações sobre os temas referidos.

 

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