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Estética da Espiritualidade

Sensivelmente no início de 2017, a Apf recebeu um convite dos serviços culturais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, sediada no museu de S. Roque, anexa à magnífica igreja do mesmo nome, para um processo de colaboração em que ambas as entidades levassem a cabo iniciativas de carácter cultural, na vertente filosófica, dirigidas a um público não necessariamente composto por especialistas em filosofia.

No fundo, tratava-se de dar seguimento a um tipo de trabalho que já havia tido lugar na Livraria Ler Devagar, nomeadamente o Ciclo sobre as Inteligências e outro sobre a Identidade de Portugal e que tiveram sucesso, quer pela qualidade dos participantes/oradores quer pela adesão do público.

Tal como nas iniciativas mencionadas, foi pensado um ciclo dividido em três sessões diferentes mas integradas na mesma problemática geral.

E como se tratava de uma instituição de inspiração religiosa, no caso católica, que integra um riquíssimo museu de arte sacra e um templo que constitui um dos mais belos exemplares do maneirismo e do barroco português, foi proposto um ciclo de três sessões dedicadas à estética da espiritualidade que de resto deu o nome ao ciclo.

Assim, no dia 1 de junho inaugurou-se o ciclo, na magnífica sala do brasão, com uma sessão dedicada à Geometria Sagrada no Templo e que esteve a cargo de Ondina Bento, médica de profissão, mas há largos anos estudiosa do tema.  Foi trabalhada a dimensão do templo como o cruzar do humano e do divino, como ponto de encontro da harmonia universal. Se cabe ao sacerdote proferir a palavra da consagração, escolhendo o centro, cabe ao artista criar o artifício ao  desenvolver da forma , obedecendo a cânones, muitas vezes reinventados, de proporção e de ritmo. A sessão obteve vivo interesse da assistência sugerindo uma boa adesão a futuras sessões.

Após o Verão, já no dia 19  de outubro, decorreu a segunda sessão dedicada à expressão plástica no tempo e que contou com a participação de duas conhecidas artistas plásticas com uma extensa obra de vincada sensibilidade espiritual, no caso a pintora Emília Nadal e a escultora Clara Menéres.

Uma vez mais, a sessão despertou a atenção dos presentes, cabendo a Emília Nadal uma introdução em que desenvolveu a relevância das metalinguagens na relação do humano com a transcendência e o divino, os códigos iconográficos nas artes religiosas, assim como a singularidade da arte religiosa cristã destinada às igrejas, nomeadamente em Portugal.

Já Clara Menéres desenvolveu um interessante périplo a partir de alguns casos exemplares como a crucificação de Grunewald, o Sudário de Turim ou os ícones orientais, desenvolvendo uma reflexão sobre o ato criador de inspiração divina capaz de atingir o estatuto de sacramental.

Por fim, do dia 16 do mês de novembro fechou-se o ciclo, com chave de ouro, com a conferência do musicólogo Rui Viera Nery sobre a música como exaltação do e para o divino.  Ruy Vieira Nery fez-nos viajar da música dos mistérios da Grécia Antiga, passando pelo cantochão medieval às cantigas de Santa Maria da corte de Afonso X , o Sábio  e destas à música de Stravinsky ou Benjamim Britten com uma expressividade e riqueza estética que tocou a assistência.

Cremos ser adequado agradecer não só aos conferencistas que tão amavelmente se dispuseram a colaborar connosco com entusiasmo e elevada qualidade, como à Santa Casa da Misericórdia pela disponibilidade, simpatia e rigor com que nos acolheram na sua casa e nos proporcionaram os meio humanos e materiais indispensáveis à concretização das conferências, auspiciando a possibilidade de novas colaborações.

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